27.8.06
Conflito civil
Gabriel Poeta, meu mestre imaginário, convenceu meus sonhos. Agora nem me preocupo mais com a chegada. Vale a travessia despreocupada, a trajetória sã, mas desleixada. Poeta mora no Estado Ido e, na última vinda ao Estado Ente, trouxe fumos que a constituição local classifica como ‘ilícito’. Poeta me contou, preocupado, que todas as fronteiras entre os condados estão duras de atravessar.
A Liga do Meio, órgão federativo que vigia as culturas dos dois estados e impede que elas se misturem, intensificou as políticas de apreensão do senso de liberdade e expressão. “A desatitude de quem é do Meio me irrita, mas viver junto aos sem posição é feito cheirar arnica”, recita Poeta.
As atrocidades que ele enfrentou ao transitar entre os estados foram exemplares para mim. É lá que eu crio o calo na alma para desafiar os desafetos. Saber, de ouvido ou de olho, das viagens do Poeta inspira-me a correr atrás de qualquer coisa que eu sinta. Poeta ficou uns dias, tomou uns cafés e vazou para casa. Tinha que voltar ao Estado Ido para cumprir o deadline das suas rimas, cobradas pelo próprio instinto de expressão e inquietude.
Meu mestre imaginário disse que volta breve ao Estado Ente. Prometo que reporto, assim que real, a volta do Poeta. Enquanto isso, eu me contento com a instrução sobre o valor da mudança pela carga densa da sua travessia. Até me deu vontade de juntar um dinheiro e tentar eu visitar Gabriel, mas acho que ainda é cedo. Breve eu faço. Enquanto isso, proponho que, na República da Alegria, salvem os doidos e deportem os doentes.
viva a insanidade! que é a inconsciência viva!
abraços e até mais
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