7.8.06

 

Completa loucura

E aqui vivemos, assim, basicamente, ridiculamente, humilhantemente, como pequenos bonequinhos arremessados dentro de um jogo bobo de um filme de milhões de dólares. Sem expressar nossas idéias porque nem as temos. Gentilmente, mandamos à merda todas as sinestesias e sinapses que nos mantinham minimamente tragáveis, nessa grande e complexa e escrota rede de narcisos. Somos apenas apêndices inúteis. Elementos desprezíveis e descartáveis pelos homens-entidades-conglomerados-macrófagos mantenedores dessa arquitetura bizarra e assimétrica. Massa motora, consumidora, movimentadora da espiral mecânica de conexões sociais. Preenchimento; desencargo - totalmente substituíveis. Peça como somos, podemos ser trocadas por outra. Sem defeito, corrompimento, arrombamento. Bocetas limpas, frescas, castas – submissas à previsível e selvagem penetração do caralho do mundo. Bocetas cômodas que formem o sistema. Que não saiam na tangente das desvairadas e incompatíveis, que não gritem, e sintam, e arranhem, e gozem.

Somos totalmente insensíveis. Totalmente megalomaníacos. Achamos que somos mais importante do que realmente somos. Somos o zero achando que somos o um, o nada ao pensar em ser tudo. Queremos jóias, carros, bebidas, amigos, abraços, amores para a ridícula e raquítica e sifilítica felicidade - pressupostos desenvolvidos para ser exatamente assim. Pressupostos que nos afastam dos atalhos da loucura, que nos envenenam e entorpecem pelo “modelo-do-bom-cidadão”, pela labuta ardilosa, pelo padronismo, pelo egoísmo, pela vaidade, pela produção em série de falsos moralismos, pelos regentes desta ópera de ato único. Somos a pura autodestruição. Somos a nossa extinção. Uma sociedade que esfarela em grãos de púrpura desordem e negro caos, de dores e ilusórias realidades, virtuais firulas de convívio, falsos sentimentos de culpa e compaixão.

Resta somente aos incompatíveis, insolúveis ao sistema, a desmaterialização da mente, a fuga da realidade, a tangente dos desvairados, a completa loucura.


Gorfadas:
aham.
lembra de D.Quixote? pois é, ele vivia ás margens da sociedade e era tido como louco. consequentemente uma pessoa aprisionada numa única linha de visão das coisas... mas pensando um pouco, quem está preso aos padrões estabelecidos? aham, aham.
a velha do guarda-chuva tb não aceita os padrões da sociedade e só se f*de. no youtube tá cheio de vídeos em que ela é sacaneada.
pois é. o ponto onde eu queria chegar é que existem três tipos de pessoas diante dessa situação:
1. os que aceitam e vivem bem com isso
2. os que não aceitam, criticam e vivem normalmente pq não há opção, tornando-se assim coniventes algumas situações bizarras
3. os corajosos como a velha do guarda-chuva e o D. Quixote que enfrentam o mundo e todas as críticas e chacotas para viverem conforme acham ser o correto.

eu estou no número 2 e não sei oq possa fazer as coisas melhorarem.
e é por isso que eu bebo. sempre que possível. (mas agora não to bebada... huahua)

;pp
 

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