28.8.06

 

Sistemátomo

Esqueça as teorias. O mundo não é assim por causa do colonialismo, do feudalismo, do imperialismo, do terrorismo, do surrealismo ou de algum outro “ismo” pseudo-intelectual. A culpa não é do Bush, do Fidel, do Diogo Mainardi e nem de Jesus. As raízes - sim, as raízes - do famigerado e imutável “sistema” vão um pouco-muito mais a fundo - à menor das estruturas. Isso mesmo, ele mesmo. Pare para pensar no funcionamento sociológico de um átomo.

Repousando ao núcleo, os nêutrons permanecem no alto de seus pedestais de isenção e estabilidade, aristocráticos. Gordos, fétidos e indiferentes. Acompanham, às gargalhadas, a sofrida dinâmica servil da eletrosfera. Os nobres bon-vivants atômicos degustam dry-martinis presunçosamente, sob o espectro blasé da neutralidade. Pudera: fora do cômodo núcleo atômico, têm uma vida média de cerca de 15 minutos. How typical.

Os prótons sim, cheios da “positiva” fúria obstinada. Gordos e fétidos também, mas cheios de oportunismo. Graças aos nêutrons, resistem à inevitável e incômoda atração com a ralé, daquele submundo escatológico e caótico da eletrosfera – bleargh. Sanguessugas da nobreza neutrina, do núcleo, do poder, do centro, da evidência, do empreendedorismo de cordiais tapinhas nas costas. Emergentes, burgueses – “pró”tons.

O que se vê além-núcleo é, enfim, a tal eletrosfera. Uma imensa periferia em camadas, onde os elétrons – negativos, tísicos, pobres e emputecidos – correm, correm, correm. Labuta ardilosa e rotineira, como numa linha de produção. Sistema que permanece e permanecerá exatamente do jeito que é. Enquanto a high-society atômica ostenta seu luxo efêmero, os elétrons, sem perspectivas, correm – sempre no mesmo caminho, presos ao mesmo espaço. Nunca se verão elétrons no “núcleo”, assim como nunca se verá sociedade igualitária, sistema justo e nenhuma dessas utopias de botequim.

E aí os átomos juntam-se uns aos outros, nas orgias bizarras e assimétricas que são as moléculas. Desenfreada troca de elétrons, como (ainda hoje) se trocam escravos. Das moléculas surgem as primeiras estruturas, e delas surgem todas as coisas. Tudo é feito de matéria desigual, injusta, podre.

Não é de se espantar.


27.8.06

 

Conflito civil

Gabriel Poeta, meu mestre imaginário, convenceu meus sonhos. Agora nem me preocupo mais com a chegada. Vale a travessia despreocupada, a trajetória sã, mas desleixada. Poeta mora no Estado Ido e, na última vinda ao Estado Ente, trouxe fumos que a constituição local classifica como ‘ilícito’. Poeta me contou, preocupado, que todas as fronteiras entre os condados estão duras de atravessar.

A Liga do Meio, órgão federativo que vigia as culturas dos dois estados e impede que elas se misturem, intensificou as políticas de apreensão do senso de liberdade e expressão. “A desatitude de quem é do Meio me irrita, mas viver junto aos sem posição é feito cheirar arnica”, recita Poeta.

As atrocidades que ele enfrentou ao transitar entre os estados foram exemplares para mim. É lá que eu crio o calo na alma para desafiar os desafetos. Saber, de ouvido ou de olho, das viagens do Poeta inspira-me a correr atrás de qualquer coisa que eu sinta. Poeta ficou uns dias, tomou uns cafés e vazou para casa. Tinha que voltar ao Estado Ido para cumprir o deadline das suas rimas, cobradas pelo próprio instinto de expressão e inquietude.

Meu mestre imaginário disse que volta breve ao Estado Ente. Prometo que reporto, assim que real, a volta do Poeta. Enquanto isso, eu me contento com a instrução sobre o valor da mudança pela carga densa da sua travessia. Até me deu vontade de juntar um dinheiro e tentar eu visitar Gabriel, mas acho que ainda é cedo. Breve eu faço. Enquanto isso, proponho que, na República da Alegria, salvem os doidos e deportem os doentes.


25.8.06

 

Plenitude

Plenitude. Dentre os tantos anagramas nanoatomoleculares que compõem outras tantas composições macro-estruturais e/ou humanas e/ou imensuráveis metonímicas metafóricas metalingüísticas – vacúolos vagos de subjetividade – poucas plenitudes.

Pão, presunto, queijo, patê de calabresa, C-C-C-C-C-C-C-C-C-C-C-plenitude. Organicidade prototípica em momentos de abissal patologia laricária. Não malteados carboidratos e lúpulo antioxidantes do mais suculento desejo, da mais sedutora moderação a ser apreciada. In(torteantes-corajantes) sussuros gerados ao célebre consumo da seiva MAGNA. Momento constitucional-humano de direito pertencente a qualquer cidadão.


21.8.06

 

Dia do sol e do senhor

Diz ele - só mais cinco minutos.

À beirada do ócio, da inatividade, da completa não existência, o ultra-conglomerado de células coloca-se como renegado de todas as formas racionais humanas para simplesmente ficar no seu confortável modo de estar feliz consigo mesmo. Efeito simples, estação celeste para antigos povos semeadores de sadias vocações. Apenas o necessário estado de retransmissões de consciências, imbecilmente impedido, de forma similar a atentados de direitos naturais da estatisticamente inútil vida. Adentro do indiferente, completo significado ao peculiar momento que autopenetra num universo possível de romper todos os planos cartesianos, resulta a irresolução de todas incógnitas; infinitos eixos com incontáveis novos estados, modos de tratar sua, descompromissada, vida. Incontestavelmente irracional para profunda aglutinação de pensamentos que são enlatados para nosso próprio benefício, cornetas enguiçadas meta soam disparos a consciência do mentor, o traz à beirada novamente, emergindo ao inconformável.


16.8.06

 

O grande espetáculo da vida

E segue esse ritmado e compassado pequeno modo de levar a vida. E segue esse espetáculo de vida pré-moldada; de partitura escrita e impressa nos encadernados dias do nosso cotidiano comum e igual ao de todos os outros. Pois dormimos e acordamos. Estudamos, bebemos, fumamos. Nossa vida segue em trilhos, mesmo que a gente não saiba onde eles vão dar. Como atores que inventam as falas, mas interpretam um papel escrito desde quando nasceu. É quase um rock, banal, de letras de amor que parecem nunca ter amado. Nossa vida tem caráter enjoativo, previsível, repetitivo, por mais diferente que ela possa parecer.

Aos mais capazes impacientes, resta pular do trem, nem que isso renda os mais suculentos arranhões. Arriscar um improviso harmonioso, mesmo que saia do tom. Pegar a estrada dos pensamentos libertos que se propagam ao encontro inconsciente de outros bons pensamentos. Como se fosse os pequenos encontrões e esbarrões que temos com as notas desafinadas de outras pessoas. As batidas diárias de vagões desgovernados.

Nessas interseções de destinos, compositores do grande espetáculo da sociedade, que saímos do compasso e soltamos nossas próprias melodias. Abandona-se a cartilha de sucessos para fazer o que consciência permitir, a ponto de largar trabalho, canudo, para lucrar uns bons sorrisos. Capaz de noticiar o inoticiável momento de desaparecer e, com isso, perder a chance de ter uma lápide respeitosa no fim de tudo.

Os mais capazes impacientes viram pó como pó os outros viram, mesmo que lutem para virar algo mais honrado. Não nos importa se a capa de nossa partitura seja dura e com escritos em dourado. Não nos importa nem a própria partitura, nem as medalhas que ganhamos no campeonato de natação, nem o que estudamos, bebemos ou fumamos. Resta a nós sermos atores de um roteiro escrito por nós para nós mesmos. Basta fechar a cortina de nosso grande espetáculo. Desmontar os trilhos e seguir a pé a encontro de algum destino compositor de um teatrinho improvisado.


15.8.06

 

Diálogo

- Cara, me cumprimenta aí.

- Beleza – plaf

- Porra mano...

- Que foi cara?

- Você me cumprimentou com o pé.

- Sim.

- Me cumprimenta com a mão, cara!!

- Por quê??

- Porque eu quero que você me cumprimente com a mão.

- E eu quis te cumprimentar com o pé.

- Mas cara...você precisa me cumprimentar com a mão.

- Você tá outorgando isso. E o meu livre-arbítrio?

- Caralho. Eu tô te pedindo um favor. Você poderia me fazer o favor de me cumprimentar com a mão?

- E você poderia me fazer o favor de respeitar a minha decisão de usar o pé pra te cumprimentar?

- Cara...que intransigente.

- Por quê eu preciso fazer uma coisa que não quero?

- Porque eu estou te pedindo, cara! O que custa?

- Custa meu direito.

- Você precisa me cumprimentar com a mão.

- Eu não vou te cumprimentar com a mão. Vou te cumprimentar com o pé.

- ...

- .

- ...!

- ...?

- Vamos fazer algo que agrade a todos. Você me cumprimenta uma vez com o pé e uma vez com a mão.

- Beleza – plaf plaf


14.8.06

 

Somos reaça

Figura-se a imagem da santa protetora de abaforados divagantes. Embaixo, o providencial cofrinho, onde se deposita aquele último suplício. Esta cena se repete em múltiplas casas por todo território composto de belas naturezas, antes dominado oficialmente e de papel passado por Portugal. Hoje não se usa mais o papel para essas formalidades. A imagem metaforiza-se em um pilar de uma estrutura fraturada.

Chega-se ao desamor da ignorável via crucis que, em berrantes tapas na cara, designa a opção de nos pregar em encruzilhadas de uma esperançosa fuga da realidade. Principalmente porque, quanto mais enraizamos destinos, nos fechamos a outras fugas.

Hoje vivemos assim - nos suplicando pelo egoísmo. Pelo consumismo. Pelo yoga. Pela tarde no shopping center. Por calças de veludo da última estação. Pelo fumo. Pela pedra. Pela universal. Quadrangular. Batista. Católica. Mundial. Episcopal. Por outros deuses. Pela pena de morte. Por calabouços humanos da idade média. Pelo fim de bandidos malfeitores da sociedade, compadres dos designados a ser benfeitores, estes escolhidos pelos escolhidos que o povo escolheu.

Pois que seja bem aventurada a alma que consegue manter a racionalidade com esta costumeira fila continua de compromissos e deveres. Tudo isto potencializado por cada imprestável fração de tempo que se permanece comprometido em viver esta forma de existência.

Os fragmentos deixados ao longo dos anos fragilizam todo o empreendimento que também não alcança o superávit no mercado de influências e poderes. Através dos convergentes de informação e do domínio do suculento capital, se dita a exploração sem papel passado, o império sobre a colônia - tudo para render lucros e bons rangos para seres egoístas iguais a você. No melhor hitlerismo da expressão “raça superior”.

E com isso vende-se a idéia. Vende-se a possibilidade de termos o dom de dizer o que é certo e do que é errado. Vende-se o direito de querer matar um malfeitor da sociedade, sendo este comparsa de outro malfeitor escolhido por outro malfeitor escolhido por você – homem de bem.

Homem pilar da sociedade justa e honesta que busca sua fuga da realidade na sabedoria. Nas boas férias. Nos amigos. Na igreja. Na bebida. Nos antidepressivos. No fumo. Na pedra. No roubo. Se precisar, na morte.

Condena-se a si próprio – atola-se uma bala nos miolos da consciência humanitária. Feito proteção contra o grande mal, vagabundo culto da hipocrisia constrói muro de conceitos infundados; de deduções sem lógica fielmente pesquisada nos mais indevidos achismos.

Eternas cavaletas - mais profundas pelas pós-modernas tendências de homogeneização da sociedade, da ultraglobalização e da crise da identidade cultural - remontam a sociedade da diferença; das pequenas tribos de estilos. Um panorama da realidade em que achamos que podemos achar que alguém merece morrer. Tudo para defender o seu próprio umbigo.


13.8.06

 

Acho válido

Imprestável sensação de precisar ser lido. Imprenstável alucinação de real felicidade, ao saber que algum pingo de bosta humana perde seus imprestáveis minutos para ler este ignorante débil-megalomaniaco textinho de internet.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Muito louco. Porque as coisas precisam fazer sentido? (introdução à filosofia burra e adolescente I). Porque eu estou pensando no que escrever; escrotas elucubrações a serviço de nada? Porque essa porra não vem pronta, psicografada por alguma geringonça mecânica industrial taylorista de produção em série, enlatada e transgênica e binária e compacta. Quero que meu fluxo de pensamento transpasse as fronteiras do ser-não-ser. Fatalmente, não consigo. Penso, penso, penso. É o que me faz humano, não é? É o que me faz o animal “”’””racional”””” que sou. Puta que pariu, eu penso. Penso porque sou um egocêntrico de merda, porque quero que esse texto seja filhadaputamente bonitinho e elucidativo, quero “ooohs” de admiração e magnestismo sexual, quero reconhecimentos e palavras baratas, quero entrar pros anais da literatura e ser previamente estudado por adolescentes estúpidos no segundo grau, quero o falho glamour da pseudo-intelectualidade, da taberna esfumaçada através de óculos stylish através de olhos blaseè através de consciências inseguras apreensivas impressionistas – afraid of everything. A máscara da presunção. No fundo eu sou um bosta, um tremendo bosta que não sabe porra nenhuma de porra nenhuma e só tenta se fazer mais intelectualóide com palavras difíceis e analogias (nem tão) bem-humoradas. Pra mim tá bom, eu finjo que sei e você finge que eu sou muito inteligente. Já estou pensando de novo. Não entendo essa mania que tenho de pensar, será que é patológico? – gole de pinga. Não sou nada. Nunca serei nada. Sou só um divagante do caralho, um egocêntrico que adora elogios e recomendações, e finge. Bêbado, estou bêbado. Acreditas?

. . . . . . . . . . . . . . . . . .

(Bêbado, bêbado, bêbado. Se repetir, acreditas? Por todos escrotos depoimentos, dramalhões rasgam predicados, verbos intrasitivos, valores imperativos sobre o substanciáveis neoreracionários brasileiros, que fluem as 4 postulaçoes terroristas anti-humanas através do pânico e do ultra egoísmo irradiado pelo consumismo. Típico.)

. . . . . . . . . . . . . . . . . .

Plástico na boca, torpor na boca, um universo inteiro a ser despejado pela boca - a boca, as mãos. Para meia dúzia de amigos e conhecidos lerem, falarem “ porra, que legal” ou então “o texto está uma bosta, não está coeso e tem vários erros gramaticais”. Pouco importa, escrevemos porque vivemos, e vivemos e sentimos e nos indignamos escrevemos porque palpita em nós a porra da vida, palpita e vibra e transborda, esse câncer que acomete a todos, essa endemia unânime que nos faz inquietos e filhos-da-puta, essa coisa insossa e fantástica, entrópica e rotatória e meticulosa, que esgota e anseia, que emputece e dá tesão - paradoxo inevitável e sucinto, a vida vida vida vida vida vida, puta que pariu, vida.


7.8.06

 

Completa loucura

E aqui vivemos, assim, basicamente, ridiculamente, humilhantemente, como pequenos bonequinhos arremessados dentro de um jogo bobo de um filme de milhões de dólares. Sem expressar nossas idéias porque nem as temos. Gentilmente, mandamos à merda todas as sinestesias e sinapses que nos mantinham minimamente tragáveis, nessa grande e complexa e escrota rede de narcisos. Somos apenas apêndices inúteis. Elementos desprezíveis e descartáveis pelos homens-entidades-conglomerados-macrófagos mantenedores dessa arquitetura bizarra e assimétrica. Massa motora, consumidora, movimentadora da espiral mecânica de conexões sociais. Preenchimento; desencargo - totalmente substituíveis. Peça como somos, podemos ser trocadas por outra. Sem defeito, corrompimento, arrombamento. Bocetas limpas, frescas, castas – submissas à previsível e selvagem penetração do caralho do mundo. Bocetas cômodas que formem o sistema. Que não saiam na tangente das desvairadas e incompatíveis, que não gritem, e sintam, e arranhem, e gozem.

Somos totalmente insensíveis. Totalmente megalomaníacos. Achamos que somos mais importante do que realmente somos. Somos o zero achando que somos o um, o nada ao pensar em ser tudo. Queremos jóias, carros, bebidas, amigos, abraços, amores para a ridícula e raquítica e sifilítica felicidade - pressupostos desenvolvidos para ser exatamente assim. Pressupostos que nos afastam dos atalhos da loucura, que nos envenenam e entorpecem pelo “modelo-do-bom-cidadão”, pela labuta ardilosa, pelo padronismo, pelo egoísmo, pela vaidade, pela produção em série de falsos moralismos, pelos regentes desta ópera de ato único. Somos a pura autodestruição. Somos a nossa extinção. Uma sociedade que esfarela em grãos de púrpura desordem e negro caos, de dores e ilusórias realidades, virtuais firulas de convívio, falsos sentimentos de culpa e compaixão.

Resta somente aos incompatíveis, insolúveis ao sistema, a desmaterialização da mente, a fuga da realidade, a tangente dos desvairados, a completa loucura.


2.8.06

 

Genesis

Mais uma noite de percepções virtualóides. Ao redor, a desordem é quase entrópica. Moedas, mornas latas de cerveja gelada, adesivos virgens, bitucas em trauma, cinzas, cores, cedês-devedês-minidevês-elecedês, agudas pontas de alegria, glamourosa escatologia pós-moderna. Teclas aos dedos, e não mais canetas, que permanecem brava e melancolicamente em pé, presas ao porta-lápis, esperando uso. Sobre a mesa e ao centro, o receptáculo e repórter de toda a dinâmica web-contemporânea, o irresistível monitor-torpor. A carvalho cinco anos já não satisfaz mais. Está parada faz alguns meses. Despretensiosamente sentado, curvado, Ele, Hilário se conecta a lugares distantes em apenas poucos movimentos. Cansado de normas e conceitos impostos durante toda sua vida distante deste habitat, o rapaz diz Obrigado minha pátria, meu país ao ganhar algo que o alimente. Eterna fadiga, contínuo destrinchamento dos bantustões de afinidades e percepções. Ácidas-púrpuras canções ao fechar dos olhos e abri-los novamente. Funkin’n’groovin’. É de apóstrofos e boca escancarada, é de assimetria, é de deslumbramento contínuo. É de abertura. No ambiente, sons moldados a mãos sagradas da mais pura perspicácia. Repare, dizia o deambulante, repare que o som é como massa de modelar, e aprisiona, e sublima na atmosfera. Jóia. Jóia e um risinho de canto de boca, e os olhos semi-cerrados, e o halo altivo; e róseo; e altruisticamente delineado...já foram tantas poucas memórias na vida do risonho contemplativo. Extremidades intensas, jogadas aos pés e à descoberta. Daqueles. Um fator de inquietação: vulto que vai e vem, que vem e volta e voa volúvel viril ventania veloz, negro. Arranha ordens cuidadosas, silenciosas, súbitas, sem percepção alheia. Em caóticos ramos embaraçados de ilegível audácia tecnológica, tangentes a caminhos despoticamente determinados, os marchantes desta passeata de sonhos e prazeres ficcionados destroem muralhas arquitetadas por redes de construção de consciência massiva. Um braço, o outro braço, barulho de pele com pele, pliè demi-pliè - desconexo, jocoso, sócio-blasé. Dança do esgotamento disposto indiferente peculiar. As risadas fogem aos padrões, os padrões fogem aos padrões, a fuga lhe foge.

Ilha unique,
- arquipélago homogêneo.